sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Chuvas


DIAS de chuva sempre me deixam assim, triste. É triste saber que fico triste por tristeza alheia, mas ora, também sou igual a todo mundo às vezes. É tão melancólico e poético ver uma chuva cair. Dói-me, essa é a verdade. Poético, é olhar a natureza que não consegue ir contra minha própria natureza de chorar. Debulhar-se em lagrimas. Do mesmo modo que o coração apertado, exprimido, como um nó dado tão sutilmente e tão ardil no meu peito, não tem forças para lutar contra o inevitável. 

A chuva cai.

Me identifico com essa chuva. Chuva, triste chuva. Talvez meu clima não seja tão tropical como parece, acho até que sou desértico. Chove pouco, muito, muito pouco, mas chove. Não quero contudo pensar em mim, quero pensar na chuva.  Me pergunto o que é mais divino? A água que vem dos céus gratuitamente e toca minha pele e aos poucos se infiltra na minha alma, ou a minha chuva? Minhas gotículas de sal que caem do meu rosto e pouco a pouco vão tateando minha pele até desvencilhar-se e cair na terra, tocando o mundo de uma maneira tão sublime? 

Melancolicamente sublime.

Poema três por quatro por três


No caderno de poesiasBrigam tristezas e alegriasEm rimas muito amigáveis.


Entre a dor e amargura,Nos rabiscos maleáveis,Juntam-se antagoniasQue somente o tempo cura.


O poeta soña-la-ias:Pedras mole e águas dura,Todas inseparáveis.