quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sobre o cheio e o vazio

Nos tornamos ilhas de nós mesmos. Essa tecnologia nos deu uma falsa perspectiva de estarmos conectados globalmente. Equívoco alimentado pela publicização da imagem, pois percebemos que não precisamos mais sair de casa para ver as pessoas. 
Elas simplesmente surgem em nossas mãos. 

Se o ser Supremo é Único, então, provavelmente, ele é muito solitário. Do mesmo modo, aquele que acredita que a experiência do mundo está nas Palmas de suas mãos, provavelmente, também é muito solitário.

Saímos de uma natureza conectada com as Sensações da natureza, humana inclusive, e fomos para a adoração do corpo e, então, para adoração do Virtual. Preenchendo-nos de virtualizações. Esvaziando a existência com significações.

A música esconde sua beleza complexa. Não no controle ordenado dos sentidos dos sons, mas sim, na habilidade de permitir a subjetivação dos silêncios. Será que não precisamos aprender a nos reconhecer nesse mundo novo, para preenchermos outra vez o mundo com significações que nos guiem para um novo esvaziamento?