quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sobre o cheio e o vazio

Nos tornamos ilhas de nós mesmos. Essa tecnologia nos deu uma falsa perspectiva de estarmos conectados globalmente. Equívoco alimentado pela publicização da imagem, pois percebemos que não precisamos mais sair de casa para ver as pessoas. 
Elas simplesmente surgem em nossas mãos. 

Se o ser Supremo é Único, então, provavelmente, ele é muito solitário. Do mesmo modo, aquele que acredita que a experiência do mundo está nas Palmas de suas mãos, provavelmente, também é muito solitário.

Saímos de uma natureza conectada com as Sensações da natureza, humana inclusive, e fomos para a adoração do corpo e, então, para adoração do Virtual. Preenchendo-nos de virtualizações. Esvaziando a existência com significações.

A música esconde sua beleza complexa. Não no controle ordenado dos sentidos dos sons, mas sim, na habilidade de permitir a subjetivação dos silêncios. Será que não precisamos aprender a nos reconhecer nesse mundo novo, para preenchermos outra vez o mundo com significações que nos guiem para um novo esvaziamento?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Humanidade.

A humanidade é o cigarro que fumo. Ambos me fazem mal.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Chuvas


DIAS de chuva sempre me deixam assim, triste. É triste saber que fico triste por tristeza alheia, mas ora, também sou igual a todo mundo às vezes. É tão melancólico e poético ver uma chuva cair. Dói-me, essa é a verdade. Poético, é olhar a natureza que não consegue ir contra minha própria natureza de chorar. Debulhar-se em lagrimas. Do mesmo modo que o coração apertado, exprimido, como um nó dado tão sutilmente e tão ardil no meu peito, não tem forças para lutar contra o inevitável. 

A chuva cai.

Me identifico com essa chuva. Chuva, triste chuva. Talvez meu clima não seja tão tropical como parece, acho até que sou desértico. Chove pouco, muito, muito pouco, mas chove. Não quero contudo pensar em mim, quero pensar na chuva.  Me pergunto o que é mais divino? A água que vem dos céus gratuitamente e toca minha pele e aos poucos se infiltra na minha alma, ou a minha chuva? Minhas gotículas de sal que caem do meu rosto e pouco a pouco vão tateando minha pele até desvencilhar-se e cair na terra, tocando o mundo de uma maneira tão sublime? 

Melancolicamente sublime.

Poema três por quatro por três


No caderno de poesiasBrigam tristezas e alegriasEm rimas muito amigáveis.


Entre a dor e amargura,Nos rabiscos maleáveis,Juntam-se antagoniasQue somente o tempo cura.


O poeta soña-la-ias:Pedras mole e águas dura,Todas inseparáveis.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Blasfêmias




E então deus disse: Que se faça luz... E lúcifer disse: Que se cobre a luz! E deus disse: Seja feita a liberdade... Lúcifer: Seja feito o capitalismo, o crediário e o cartão de crédito! Deus falou: Quero um herdeiro! Quero um filho! Será meu filho e terá alimento, bebida e transporte grátis! Os peixes cairão sob seus pés, transformará água em vinho e caminhará sobre as águas! Afinal, é meu filho!

Seu nome será Marcelo! Então pensou outra vez. Nããããã... É muito bonito. Quero algo simples. Chamara-se-há Josnei!


Opa!!!! Simples demais. Já sei! Jeeee....sus! Jesus! Ta ai... Curti... Lúcifer pensou e resolveu que teria um filho também. Se chamará Mefisto, disse ele, e só morrerá pelas mãos do motoqueiro fantasma... Ele... Diferente do cara esse, o tal Jesus, Mefisto será o criador! Criará muitos impostos. A luz será cobrada, o transporte público custará mais de quatro reais, o SUS será pior que uma catástrofe natural, e por ai em diante... Muaaaahahahahaha como eu sou mal...


E as trombetas tocaram, e as cortinas fecharam. Encerrando-se assim o 2º ato!