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Criando problemas semânticos.

¾Professor, temos um problema ¾Qual problema? ¾O problema é: Temos um problema! ¾Puxa! Não diga uma coisa dessas! Como aconteceu? ¾Estávamos supervisionando a falta de problemas e quando nos demos conta... Catapimba! ¾Meu deus! E o que faremos? ¾Já estamos resolvendo o problema ¾Mas, nosso sistema não havia sido criado para não dar problemas? ¾Sim! Quero dizer, não... ¾Como assim? ¾Havíamos criado o sistema contra problemas que dessem. Mas não contra problemas que pudessem dar. ¾Que problemão... ¾Calma. Fique tranquilo. Os probleminhas e os problemões são protegidos. ¾Que bom ¾Um minuto, estão me mandando uma mensagem... ¾À vontade, não quero gerar problemas.
¾Ohhh, sim... Entendo. Entendo. Certo, avisarei o professor... Bom, acabam de me informar que o problema foi resolvido.
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Vou te escrever um Poema

Vou te escrever um poema
Tocante
Marcante
Quente

Falarei da minha tara
Meu vicio.
Tua pele
Teu sabor

Vou te fazer ficar louca. Por mim.
Por me ter
Me ter
Me ter

Tu sempre vai ler meu poema querendo
Minha mágica
Minha essência
Minha força

Vou estar no teu pensamento
Abrindo tuas pernas
Teu zíper.
Tua... poesia.

Meu poema vai te deixar sem ar
Sem métrica!
Sem rima!

SEM VERGONHA.
De nada...

Serás abusada!
Sugando meu poema todo
Pra dentro de ti

Vai tirar minha camisa...
De força.
O cogumelo que traz
Alucinação.

Ficarás resoluta.
Vou te chamar de puta!
E na minha cara
Acertarás o tapa convicto.

Topo. Topo tudo contigo.
Topo te levar à lua
Topo te embebedar
E ficar do teu lado

Segurando tua mão no frio
Agarrando forte o teu cabelo
Provando do teu ódio
E provando o teu veneno.

Vou te escrever um poema.

Vou mesmo, te escrever um poema.

O beco

San Francisco, CA – 1966. Charlie. 8 anos. Bermuda pouco acima dos joelhos. Camisa listrada marrom. Punhos cerrados. O esquerdo na altura do peito próximo ao queixo, e o direito à frente, para marcar território. Há pouco havia jogado seu boné contra o chão. Bob. 9 anos. Meias cinza, pouco abaixo do joelho. Suspensório e camisa listrada vermelha. Punhos serrados e cara de mau. Charlie caminha lentamente em sentindo horário. De costas para a Mason Street e de frente para os fundos do “Fior D’Itália”. Sua baixa estatura e seu porte físico não estimulam muita confiança. Isabelle aguarda o resultado. Bob Flecher era conhecido por liderar a gangue dos Garotos Gordos. Este sim era digno de aposta. O sorriso irônico no canto da boca incentivava os gritos da torcida. “Os Gordos” como eram reconhecidos. Não que fossem gordos, mas eram eles que “controlavam” os lanches dos rapazes nos intervalos da escola. Havia também a gangue dos Pit-Stop Boys (ou P-SB). Uma brincadeira feita com os pit-stops dos g…

O flerte

O Flerte.
Me diga, o que aconteceria se eu dissesse que vou flertar, nesse instante, com você? Você aceitaria o meu flerte? E além disso, dissesse também que você já foi flertado por mim? Você aceitaria o meu flerte?
Escute essa história do que quero debater: o estrangeiro político. Este é um ser que tem ganas pelo governo, apesar da sua própria falta de habilidade para manuseá-lo. Das sombras são arquitetados os seus planos, desígnios e determinações. Sem nunca propor, pois, quem propõe age; e quem age se expõe. O tempo gasto em debate, para que a compreensão do outro seja mais acessível e possível, é visto como uma falha ética e moral. Ou na pior das situações, uma falha política.
O estrangeiro político aguarda o momento para a tomada do poder; Uma aporia faz-se necessária. Não é difícil encontrar na história as investidas para tentar superar duas ideias contrárias, para o convívio humano ser possível. Uma diligência prestada, muitas vezes, nas vozes de quem busca se fechar dentro …

A menina

A menina foi acusada de matar sua prima e ter relações, antes do casamento, com seu namorado. Naquela árida cidade o veredicto já estava decidido pelo juiz e seus algozes advogados antes mesmo de começar. Um por sua função de decidir o que é certo e o que é errado, já o outro, que seria o advogado de defesa preferiu julgá-la por devoção ao seu pai (o próprio juiz). As pessoas daquela época foram castigadas pelo calor. Mas as mulheres sofriam muito mais. Poucas partes da pele delas poderiam ficar de fora, do contrario, eram julgadas como animais. As vestimentas destes eram simples mesmo. Sandálias, sapatos, tecidos finos pouco coloridos e tudo mais. Foi lá onde tudo aconteceu. Uma mulher que se atrevesse a sair pela rua desacompanhada poderia levar pedradas sem maiores motivos. Era essa a selvageria que rondava aquele lugar. Havia leis que as protegiam também, é claro, como por exemplo, cada vez que o homem quisesse ter relações sexuais com sua esposa, era garantido por lei que ele ob…

Ilhas

Nos tornamos ilhas de nós mesmos.
Essa tecnologia nos deu uma falsa perspectiva de estarmos conectados globalmente. Equívoco alimentado pela publicização da imagem pois percebemos que não precisamos mais sair de casa para ver as pessoas.
Elas simplesmente surgem em nossas mãos. Se o ser Supremo é Único, então, provavelmente, ele é muito solitário. Do mesmo modo aquele que acredita que a experiência do mundo está nas Palmas de suas mãos, provavelmente ele também é muito solitário. Saímos de uma natureza conectada com as Sensações da natureza, humana inclusive, e fomos para a adoração do corpo e, então, para adoração do Virtual. Preenchendo e esvaziando a existência com significações. A música esconde sua beleza complexa. Não mais no controle ordenado dos sentidos dos sons mas sim na habilidade de permitir a subjetivação dos silêncios. Será que não precisamos aprender a nos reconhecer nesse mundo novo, para preenchermos outra vez o mundo com significações que nos guiem para um novo esvaz…

Sodoma e Gomorra

Um escritor escreve. Assim como um assassino assassina. Às vezes frio. Às vezes morno.  Algumas vezes quente. Ou louco. Um escritor escreve com arma de fogo.  E mata apenas a si mesmo. Mata o instante.  O invisível.
O poeta sente a dor da morte. A dor da dor. A dor do tempo. O odor da vida, e dos sentimentos.  E as mulheres dançam nos seus sonhos.
Mas as lágrimas, que às vezes querem passar pelos olhos, estão presas. Cárcere privado. Do poeta. Se pudessem sair, revelariam as barbáries, e torturas que elas sofrem lá dentro. E o poeta administrativo nunca a deixa sair.
Aquele peso escondido sob sua pele, sob seus ombros, abate a letra. A escrita. E mesmo assim. Mesmo com essa pobreza de espírito. Esse podre homem é rei. Rei sob seu domínio. Escárnio subversivo. A coroa de ossos é dada ao cego. Que vela sua alma na vala. Nos muros criados ao seu redor.  “Sodoma e Gomorra” é seu poema.